High School nos EUA – Meu primeiro intercâmbio

High School nos EUA – Meu primeiro intercâmbio

Bem vindos ao meu blog! Muito obrigada pela visita!

Sou a Débora do Lago, hoje com 31 anos, casada, mãe do Arthur que tem um ano e meio, Theo e Nicole (gêmeos) que estão a caminho, ainda em gestação!

Já contei o “final” da historia, mas muito interessante é o inicio!

Aos 15 anos fiz minha primeira viagem internacional, fui com toda a família para a Disney passar férias, visitar os parques e realizar aquele sonho de infância que muitos brasileiros de todas as idades têm. Nessa viagem, conheci alguns brasileiros que estavam morando em Orlando e trabalhando na Disney, fiquei alucinada com essa possibilidade e desde o retorno da viagem passei a pesquisar sobre quais seriam os passos para ter essa experiência internacional.

Foi quando uma prima foi para Inglaterra fazer intercâmbio, eu ate então não sabia muito bem como funcionava, mas achava o máximo falara para os amigos que uma prima estava morando em Londres, passei a pesquisar e ver quais seriam minhas possibilidades de também viver aquela experiência.

Através de muitas pesquisas e de acordo com minha idade na época, o programa mais indicado por todas as agências era o “High School”, que seria uma parte do ensino médio (na época chamado “colegial”) no exterior. Eu teria oportunidade de frequentar uma escola local, morar com uma família americana, falar inglês todos os dias, viver realmente o cotidiano de uma comunidade internacional. Era isso o que eu mais queria! Bastava então convencer meus pais, na realidade meu pai sempre apoiou, pois este também era um sonho dele que infelizmente ele não pode viver, já minha mãe foi contra no inicio, não sabia como seria ficar um ano longe da filha! Logo de cara me inscrevi para um programa de um ano, pois a diferença do investimento para ficar um semestre letivo e um ano, era pouca, então fizemos minha matricula para um ano em uma escola publica de qualquer lugar do mundo!

O processo para preenchimento da documentação foi bem chatinho, pois tinham muitos papéis, muitas informações, praticamente um resumo da minha vida acadêmica, familiar, personalidade, de saúde, etc. Demorei alguns dias para preencher, mas a empolgação era tanta que eu não reclamei não! Pelo contrário, mesmo tendo que tomar um monte de vacinas que estavam atrasadas, eu nem liguei, queria apenas finalizar logo o processo. Quanto antes eu entregasse a documentação, mais tempo a organização deixaria disponível para uma comunidade aceitar meu perfil.

A organização que eu escolhi na época aplicava um processo de seleção, onde vários alunos se inscreviam, mas poucos eram aceitos. E era uma inscrição no escuro, pois a carta de confirmação poderia vir para qualquer um dos países que participassem daquele intercâmbio. Foi o que aconteceu comigo, fui aceita e logo veio uma confirmação para eu realizar meu intercambio na Tailândia, realmente teria sido uma experiência incrível, mas vindo de uma família muito conservadora e já ciente que minha mãe até aquele momento não era muito a favor do intercâmbio, seria mais difícil convencê-la a me deixar a ir para lá, então eu neguei a colocação e para a “ultima da fila”, correndo o risco de não conseguir colocação em nenhum outro pais.

Os meses foram passando, a data da viagem se aproximando e nada de ter uma colocação, até que em Maio de 1999 chegou uma carta da organização dizendo que eu tinha sido aceita para os Estados Unidos e tão logo chegou essa carta veio a confirmação da família. Eu moraria na cidade de Mauston, estado de Wisconsin, com a família Harrison, composta de um pai, mãe e dois filhos, a Jackeline na época com 16 anos e o Philip com 13.

Fiquei muito feliz ao saber que moraria nos EUA (que era meu sonho) e com uma família muito tradicional. Note que todo processo foi feito via Correios, pois eram poucas as pessoas que tinham acesso a internet, e-mail, etc.

Finalmente chegou a data do embarque, me lembro exatamente da sensação de estar no aeroporto quando chegou minha vez no check-in, olhei para meu pai como quem  diz: “Chegou a Hora”! Ele entregou a documentação na minha mão e naquele momento eu senti um frio na barriga tão grande que nunca mais saiu de mim, hoje ao escrever para o blog essa passagem da minha vida, acabo de sentir a mesma coisa. Fiz o check-in, chorei pra caramba para me despedir dos meus pais e segui com a turma para a policia federal, embarquei e ali estava eu enfrentando 9 horas de voo ate Chicago, onde fomos recebidos pela organização para uma reunião de orientação. Nada fácil carregar sozinha duas malas pesadas, me arrependo um pouco de ter levado tanta coisa, mas não tinha muita experiência, não me preparei tanto para a viagem, enfim, a orientação foi excelente e depois veio o tão esperado momento de encontrar com a família. O que falar pela primeira vez?  Aonde sentar no carro? Ao chegar em casa, como pedir ajuda com as malas para subir as escadas e leva-las ao meu quarto? Como falar que estava morrendo de fome naquele momento? E a vergonha? Bom eu sobrevivi a aquele primeiro dia, até que veio o dia seguinte! E para acordar de manhã sem saber se eu poderia me “virar” com meu café ou não? Não foi fácil esse inicio, mas aos poucos eu ia entendendo que eu teria realmente que correr atrás das coisas, pois ninguém pegaria na minha mão para me ajudar, assim como eu sempre tinha vivido aqui no Brasil, afinal, estava vivendo outra cultura.

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clique na imagem para mais informações sobre High School

 

A Jacke desde o inicio se mostrou distante, talvez com ciúmes de mim, as vezes me convidava para sair, as vezes saia e nem me chamava, então eu percebi  que eu teria que fazer meus próprios amigos, começaram as aulas e me lembro do primeiro dia, aula de biologia, ninguém sabia que eu era intercambista e eu não entendi absolutamente nada o que a professora falava, queria sair correndo de lá! Foram as 2 horas mais longas da minha vida, até que finalmente acabou a aula e eu na o conseguia fazer nada além de chorar no banheiro! Lavei o rosto e percebi que ou eu encontraria alguma solução ou teria que vivenciar essa “tortura” todos os dias, fui procurar minha coordenadora e pedir ajuda com meu inglês fraco. Consegui mudar biologia para o ultimo bimestre visto que estava em uma escola de sistema “block 4”, onde você estuda 4 matérias por dia, todos os dias, o bimestre inteiro ate terminar a carga horaria da disciplina escolhida, eu mudei biologia e escolhi espanhol no primeiro bimestre além de historia, matemática e literatura. No espanhol eu era muito boa, pois existe realmente uma similaridade entre os dois idiomas, e eu melhorei meu inglês através do espanhol. Aos poucos fui fazendo amizade, aos poucos meu inglês foi melhorando, aos poucos fui me acostumando com a aquela nova vida e administrando a saudade do Brasil que era intensa!

Não tinha Skype, Facetime ou qualquer outro meio para “ver” meus pais, a comunicação era por telefone (uma vez por semana) ou por cartas a cada 15 dias, e-mails somente para meu pai que tinha acesso do trabalho. Imagina, em 1999 o acesso era para poucos e muito menos frequente, mas de certa forma foi muito boa essa distância (além de física, mas também tecnológica) para que eu realmente pudesse aproveitar cada minuto dos meus dias, me acostumar e amar aquele lugar cada vez mais!

A relação com a Jacke não estava boa até que após seis meses que eu estava lá, tive uma conversa muito seria e adulta com os host parentes (os pais) e juntos entendemos que seria melhor realmente eu mudar de casa! Mudei para a família Rogers, também composta de pai, Mãe e duas filhas, uma com 16 e outra com 11! Fiquei em pânico achando que eu estaria trocando “seis” por “meia dúzia”, mas a relação com as irmãs da outra casa foi muito diferente e eu realmente gostei dessa família a qual mantenho contato até hoje!

Conheci muitos americanos, vivi a cultura americana, mas meus melhores amigos foram os outros intercambistas que estavam vivendo a mesma situação que eu, na minha escola além de mim tinha a Lena (Alemanha) e a Keiko (Japão), foi com elas que eu vivi os melhores momentos, a gente se entendia de verdade e foi uma amizade muito bonita! Hoje todas elas casadas com filhos iguais a mim, mas na época éramos tão “pequenas” num mundo tão grande e realmente crescemos a cada dia com essa experiência, que foi maravilhosa!

Às vezes batia uma revolta com algumas perguntas idiotas que eu ouvia do tipo “seu animal de estimação é um jacaré, um macaco? Vocês usam tênis para ir à escola? Fala espanhol?” mas eu aprendi que eu tinha que sorrir a cada pergunta idiota e invés de discutir apenas ser diferente e mostrar que o Brasil estava evoluindo muito, que em muitas coisas éramos mais evoluídos que eles. Foi durante essa primeira experiência internacional que eu descobri que profissão eu queria seguir: queria trabalhar com intercâmbio e intercambistas para deixa-los preparados para o que eles vivenciariam, para ajuda-los a não desistirem no primeiro obstáculo, para receber intercambistas na minha casa no futuro. e após meu retorno, entrei na faculdade de turismo e desde então não parei mais de viajar ou me inscrever em outros programas de intercâmbio, como cursos de idiomas na Espanha, Inglaterra, Italia, programa de trabalho na Disney (sim eu consegui trabalhar na Disney por 2 vezes), além de acompanhar vários grupos de adolescentes para o exterior. Sobre essas outras experiências vou contar nos próximos textos, ok?

Vejam algumas fotos do High School:

high school aprendendo a esquiar

Aprendendo a esquiar!

high school Familia hospedeira

Família hospedeira!

high school formatura escola

Minha formatura escolar!

high school jornal com as intercambistas

Nós saímos no Jornal na época! :)

high school time volei

Junto com as meninas do time de Vôlei!

 

Muito obrigada por me acompanhar por aqui!

Beijos

Débora